Senhor!
A Ti revelo meu olhar indiferente
a quem tem fome,
que tantas vezes sou causa de dor
ao meu irmão,
que aos nus não busco vestir
e sequer percebo as enfermidades
deteriorando a paz
daqueles que pusestes em meu caminho.
Guardo em muros construídos
pelo egoísmo que há em mim
os frutos da vinha
e os dons que me destes.
Torna-se fácil apontar a corrupção
sem auxiliar meu irmão
na correção de um erro,
e ponho-me a gritar suas fraquezas
com o olhar desprovido de compreensão.
Me fizeste pleno,
capaz de enxergar no outro
toda a sede de paz,
d'esperança...
Por isso quero Contigo
aprender o ofício do amor,
a fim de não deixar
os mortos aos abutres
e os presos
condenados ao esquecimento
em seus cárceres deletérios.
Eis a minha miséria!
Revelo a Ti
verdadeiramente quem sou.
As obras de misericórdia
que ensinastes na cruz
parece em mim não ter suscitado.
Desejo no entanto, ir além...
Transpor a miserabilidade
que circunda meu ser
com a Vossa ajuda,
Senhor!
DILMA MOTA
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